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Eleições 2026As bibliotecas também estão em jogo

há 11 minutos
3 min de leitura

Amanhã, iremos às urnas para escolher quem nos representará nos próximos anos: presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais.


Para a Beabah!, este também é um momento de reafirmar uma defesa que atravessa nossa trajetória: o direito humano à literatura e o direito de todas as pessoas às bibliotecas.

A existência e a continuidade das bibliotecas comunitárias estão relacionadas a políticas de fomento, programas de leitura, aquisição e circulação de livros, formação de mediadoras e mediadores, valorização dos trabalhadores da cultura e fortalecimento dos espaços culturais nos territórios.


Só neste ano, até agora, somos mais de 20 territórios gaúchos contemplados em atividades de mediação de leitura e vivências culturais, alcançando milhares de pessoas e impactando dezenas de parceiros das áreas de educação, cultura, assistência social e saúde. Parte significativa dessas ações só foi possível porque existem políticas públicas de cultura e programas de fomento que chegam aos territórios. Desde 2024, nossas Bibliotecas estão abertas e quebrando as barreiras de acesso à leitura, a partir da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e da iniciativa da sociedade civil organizada, que através do voluntariado chega onde o Estado não alcança, seja por limitações ou por decisões políticas.


É por isso, e por tantos outros motivos, que as eleições também dizem respeito às bibliotecas. Políticas de livro, leitura e bibliotecas, mecanismos de financiamento, formação de leitores, valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores da cultura, aquisição e circulação de acervos e fortalecimento dos espaços culturais não acontecem por acaso. São resultado de escolhas políticas e de decisões tomadas por quem ocupa os espaços de poder.


Em 2026, mais de 12 mil pessoas já passaram pelas bibliotecas da Beabah! em atividades de mediação de leitura e vivências culturais. Esse número fala do trabalho realizado nos territórios, mas também fala sobre a importância de políticas públicas que oportunizam condições para que esse trabalho aconteça.


A história recente da cultura brasileira nos lembra que políticas públicas podem avançar, mas também podem ser interrompidas. Não esquecemos que o Ministério da Cultura foi extinto em 2019 e recriado em 2023. Não se trata apenas da existência ou não de um Ministério, mas de reconhecer o lugar que a cultura ocupa na construção de um projeto de país e na definição das políticas que chegam, ou não chegam, aos territórios. Além disso, é necessário que compreendamos que décadas de construção coletiva podem ser destruídas com uma simples caneta na mão da pessoa errada. Visibilizar e estimular programas de Cultura, ou não, faz parte de um projeto de Governo. Ou seja, é uma escolha de quem nos representa. Do nosso lado, o que nos cabe como escolha é votar com consciência.


Oportunizar acesso à cultura e construir cidadãos críticos é uma ameaça para aqueles que buscam o controle social. Quando debatemos e falamos sobre democracia, precisamos compreender e validar a democracia cultural como eixo fundamental para a estruturação de uma sociedade. Reconhecer o papel das bibliotecas e do segmento do livro e leitura na formação de leitores e de comunidades conscientes é entender de que lado estamos nesta batalha e qual mundo possível fabulamos e construímos diariamente em nossos territórios.


Nossa luta faz parte de uma defesa maior: uma sociedade em que todas as pessoas possam encontrar livros, acessar a literatura, produzir e compartilhar conhecimentos e ter espaços de leitura próximos de seus territórios. Portanto, quando formos às urnas,  precisamos lembrar que as políticas públicas que sustentam esses direitos não são permanentes por natureza. Elas precisam ser construídas, acompanhadas, defendidas e fortalecidas.


Pergunte qual é o lugar das bibliotecas, do livro e da leitura nos projetos de quem pretende ocupar os espaços de decisão. Veja, em seus planos de governo, o que os candidatos dizem sobre cultura, educação e, em especial, sobre o segmento do livro, leitura, literatura e bibliotecas.


Antes de votar, informe-se. Ainda dá tempo!!!

Conheça as propostas.


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