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I Seminário Beabah! – Bibliotecas para Fabular Mundos Possíveis

há 3 horas
5 min de leitura

Dia 01 de Seminário - 04/09/2026



Nos dias 4 e 5 de setembro de 2026, a Rede Beabah! reuniu pessoas de diferentes lugares, trajetórias e áreas de atuação para conversar sobre uma pergunta que acompanha o trabalho das bibliotecas comunitárias: que mundos podemos construir quando garantimos a todas as pessoas o direito à leitura, à cultura e à imaginação?

Durante dois dias, foram nove mesas, além de intervenções artísticas, mediações de leitura, lançamento de livro e muitas trocas. Cada conversa trouxe um jeito diferente de olhar para as bibliotecas e para aquilo que acontece quando elas estão presentes nos territórios. Bibliotecas que andam: Na Trilha das Andarilhas


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A primeira conversa do seminário partiu justamente dessa experiência dos territórios e da cultura popular. As Andarilhas já tinham mostrado, com seus corpos, bonecos, músicas e histórias, que existem muitas maneiras de contar aquilo que somos.


A conversa ampliou essa provocação: o que acontece quando a cultura deixa de esperar que as pessoas cheguem até ela e passa a caminhar em direção aos territórios?

Foi um começo potente porque deslocou a ideia de biblioteca de um lugar fixo. Biblioteca também pode ser movimento. Pode ser encontro, rua, praça, roda, voz, música, memória e imaginação.


Talvez fabular mundos possíveis comece por aí: perceber que existem muitas formas de produzir conhecimento e que nenhuma delas precisa pedir licença para existir.



Mesa 2 - Leitura, remição e socioeducação: práticas que transformam as unidades prisionais brasileiras


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Participantes: Janine Durand e Jeane Silva

Mediação: Susane Souza

Falar de leitura dentro de uma unidade prisional é falar sobre uma das coisas mais bonitas que um livro pode fazer: lembrar a alguém que sua história ainda não terminou.

A conversa entre Janine Durand e Jeane Silva aproximou literatura, remição de pena e socioeducação. Mas, para além dos conceitos, a discussão colocou uma pergunta muito humana no centro: o que pode acontecer quando uma pessoa tem acesso a um livro e, por meio dele, encontra uma possibilidade de pensar sobre si, sobre sua trajetória e sobre o mundo?

A leitura, nesse contexto, não aparece como prêmio e nem como favor. Ela é direito.

E existe algo muito potente em reconhecer que um livro pode ocupar uma cela, uma biblioteca comunitária, uma escola ou qualquer outro lugar porque, onde existe leitura, também pode existir reflexão, imaginação e possibilidade de mudança.

Foi uma mesa que fez a gente lembrar que defender bibliotecas é também defender o direito de todas as pessoas à literatura, inclusive aquelas que a sociedade muitas vezes prefere não enxergar.


Mesa 3 - Justiça climática e racismo ambiental: territórios em luta

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Participantes: Nina Acácio e Nina Fola

Mediação: Francine Conde Quando falamos de crise climática, é fácil imaginar algo distante: geleiras derretendo, grandes desastres, temperaturas recordes. Mas a emergência climática também tem endereço.


Nina Acácio e Nina Fola trouxeram para a conversa a relação entre justiça climática, racismo ambiental e território. E falar de território é falar de quem tem água, quem tem saneamento, quem respira um ar mais poluído, quem vive mais exposto aos riscos e quem costuma ser ouvido quando decisões sobre a cidade são tomadas.


A mesa mostrou que não existe uma discussão ambiental neutra. As mudanças climáticas atingem as pessoas de maneiras diferentes porque as desigualdades já existem antes delas.


E talvez esse seja um dos papéis mais importantes de uma biblioteca comunitária: ajudar a transformar aquilo que parece distante em assunto de conversa. Dar acesso à informação, criar espaço para perguntas e permitir que os próprios territórios contem suas histórias.


Conhecer o lugar onde a gente vive também é uma forma de cuidar dele.

Mesa 4 - Bibliotecas como espaços seguros de afeto e escuta: lugares para acolher e pertencer


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Participantes: Miguel João de Deus e Guilherme Nogueira

Mediação: Inaúma Carvalho


Existe uma pergunta que parece simples, mas diz muita coisa sobre uma biblioteca: como tu te sente quando entra aqui?


A conversa entre Miguel João de Deus e Guilherme Nogueira partiu justamente da ideia de que uma biblioteca pode ser muito mais do que um espaço de acesso aos livros. Ela pode ser um lugar onde alguém encontra escuta, segurança, afeto e pertencimento. A discussão aproximou experiências dos territórios e conhecimentos da neurociência para pensar como ambientes acolhedores interferem na maneira como aprendemos, convivemos e nos relacionamos.


E talvez seja impossível falar de biblioteca comunitária sem falar disso. Porque, no fim das contas, ninguém cria vínculo com uma estante, a gente cria vínculo com pessoas.


Com quem lembra nosso nome. Com quem pergunta como foi a escola. Com quem indica um livro. Com quem deixa a gente ficar mais um pouco. Uma biblioteca viva é feita também dessas pequenas coisas que parecem simples, mas fazem alguém pensar: “aqui eu posso estar.”



Mesa 5 - Bibliotecas e saúde: outros caminhos para o bem-viver


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Participantes: Felipe Eugênio e Jesse Cardoso

Mediação: Joseane Menezes Marcílio


Talvez a primeira reação seja perguntar: o que uma biblioteca tem a ver com saúde?

A conversa de Felipe Eugênio e Jesse Cardoso mostrou que bastante coisa.


Quando pensamos em saúde, normalmente lembramos de hospitais, consultas, medicamentos e profissionais especializados. Mas saúde também passa por vínculos, informação, convivência, cultura, pertencimento e pelas condições que permitem às pessoas viverem com dignidade. É nesse espaço que as bibliotecas comunitárias aparecem.


Elas podem ser lugares de encontro, de acesso à informação, de convivência e de construção de redes. Podem acolher uma criança depois da escola, uma pessoa idosa que procura companhia, alguém que chega para ler e acaba ficando para conversar.

A mesa ampliou a própria ideia de cuidado. E deixou uma provocação bonita: talvez cuidar de uma comunidade também seja criar lugares onde as pessoas possam se encontrar.


Um primeiro dia cheio de encontros

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O primeiro dia do Seminário Beabah! foi daqueles em que uma conversa parecia sempre puxar outra. Começamos com as Andarilhas, com seus bonecos, músicas, poesia e histórias, e seguimos por diferentes territórios, experiências e formas de pensar a leitura, a cultura e o cuidado. Ao longo das cinco mesas, falamos sobre leitura e remição de pena, sobre a realidade de pessoas privadas de liberdade e sobre o direito de encontrar na literatura outras possibilidades para a própria história. Falamos também de justiça climática e racismo ambiental, lembrando que as mudanças no ambiente não atingem todas as pessoas da mesma maneira e que o território onde se vive também conta uma história sobre desigualdade. Depois, a conversa passou pelo afeto. Pela escuta. Pela importância de existirem espaços onde as pessoas possam chegar, permanecer e se sentir pertencentes. Pensamos nas bibliotecas como lugares seguros, onde uma criança pode encontrar um livro, alguém pode encontrar companhia e uma comunidade pode encontrar um espaço para estar junto. E, quando chegamos à relação entre bibliotecas e saúde, ficou ainda mais evidente que as coisas estão conectadas. Cuidar também pode ser criar vínculos, compartilhar conhecimento, garantir acesso à cultura e construir lugares onde as pessoas não precisem estar sozinhas. Foi um dia de muitas ideias, mas também de muitas histórias. Daquelas que não ficam apenas na mesa onde foram contadas, porque seguem com quem escutou e encontram espaço para continuar sendo pensadas depois. Talvez tenha sido esse o grande sentido daquele primeiro dia: perceber que uma biblioteca comunitária nunca está falando somente de livros, está falando de pessoas, de território, de direitos, de memória, de cuidado e das possibilidades que aparecem quando diferentes experiências podem se encontrar. Ao final, ficou a sensação boa de que muita coisa tinha sido compartilhada e de que cada pessoa levava consigo um pouco das outras.


O seminário ainda tinha muita coisa pela frente, mas aquele primeiro dia já tinha deixado uma marca bonita: a certeza de que fabular mundos possíveis também é sentar junto, escutar o outro e imaginar, em coletivo, aquilo que ainda podemos construir. Acesse por aqui a pasta com o acesso a todas as fotos desse dia!


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