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I Seminário Beabah! – Bibliotecas para Fabular Mundos Possíveis

há 2 horas
5 min de leitura

Dia 02 de Seminário - 05/09/2026



Nos dias 4 e 5 de setembro de 2026, a Rede Beabah! reuniu pessoas de diferentes lugares, trajetórias e áreas de atuação para conversar sobre uma pergunta que acompanha o trabalho das bibliotecas comunitárias: que mundos podemos construir quando garantimos a todas as pessoas o direito à leitura, à cultura e à imaginação?

Durante dois dias, foram nove mesas, além de intervenções artísticas, mediações de leitura, lançamento de livro e muitas trocas. Cada conversa trouxe um jeito diferente de olhar para as bibliotecas e para aquilo que acontece quando elas estão presentes nos territórios.

Mesa 6 - Mobiliza PNLL: o ecossistema do livro na construção de

um Brasil leitor


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Participantes: Taiasmin Ohnmacht, Ana Paula Cecato e Hanna Gliedy

Mediação: Eduardo Peixoto


Um livro não chega sozinho até uma biblioteca.


Antes dele existir na estante, existe quem escreve, quem publica, quem edita, quem distribui, quem compra, quem organiza, quem media, quem indica e quem abre a porta para que outra pessoa possa encontrá-lo.


Foi olhando para toda essa cadeia que a mesa sobre o Plano Nacional do Livro e Leitura colocou em debate o chamado ecossistema do livro e os caminhos necessários para a construção de um Brasil leitor.


A conversa lembrou que formar leitores não depende apenas de dizer “leia mais”. É preciso garantir livros, bibliotecas, políticas públicas, profissionais, espaços de leitura e condições para que o encontro entre leitor e literatura realmente aconteça, e talvez seja por isso que as bibliotecas comunitárias sejam tão importantes nessa história. Elas estão onde as pessoas estão. Conhecem seus territórios, suas necessidades e seus desejos.


Um país leitor não se constrói apenas de cima para baixo. Ele também nasce nas pequenas bibliotecas, nas rodas de leitura, nos empréstimos, nas conversas e naquela pessoa que pega um livro pela primeira vez e descobre que aquela história também pode ser sua.


Mesa 7 - Literatura para além dos livros


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Participante: Alessandra Souza

Mediação: Leandro Silva

A literatura cabe em um livro. Mas talvez ela não termine nele, a conversa entre Alessandra Souza e Leandro Silva trouxe justamente essa provocação: pensar a literatura para além dos formatos que tradicionalmente reconhecemos como literários e olhar para as diferentes maneiras pelas quais histórias, memórias e conhecimentos circulam.


E isso tem tudo a ver com bibliotecas comunitárias, porque nos territórios a literatura pode aparecer em uma roda de conversa, em uma poesia falada, em uma memória contada por alguém mais velho, em uma música, em uma história inventada por uma criança.


Durante a conversa, o microfone também circulou pelo público. Vieram perguntas, provocações e experiências. E isso talvez tenha sido parte importante da própria mesa: não existia uma pessoa que sabia tudo e outras que apenas escutavam. O conhecimento também estava sentado na plateia.


No fim, ampliar o que entendemos por literatura é também ampliar quem pode ser reconhecido como alguém que conta histórias.


Mesa 8 — Resistência feminina: direitos, enfrentamentos e conquistas


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Participantes: Dalva Maria Soares e Bia da Ilha

Mediação: Mirian Eilert


Existem histórias de mulheres que aparecem nos livros, e existem aquelas que ainda estão esperando para ser contadas.


A mesa sobre resistência feminina colocou no centro experiências de mulheres, seus enfrentamentos, direitos e conquistas. Dalva Maria Soares e Bia da Ilha trouxeram para a conversa não uma ideia abstrata de resistência, mas aquilo que ela significa quando vivida no corpo, na comunidade e no cotidiano.


Falar de resistência feminina também é falar sobre memória. Sobre quem veio antes, quem abriu caminhos e quem continua abrindo portas para que outras possam passar.

E talvez seja esse um dos poderes da literatura e das bibliotecas: guardar essas histórias para que elas não desapareçam.


Porque uma história contada pode inspirar outra. Uma mulher que encontra sua voz pode ajudar outra a encontrar a sua.



Mesa 9 — Beabah!: há 18 anos construindo mundos possíveis


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Participantes: José Falero, Camila Schoffen Tressino e Túlio Damascena

Mediação: Viviane Henrique Peixoto


Depois de dois dias falando sobre território, literatura, saúde, meio ambiente, direitos, políticas públicas, afeto e resistência, fazia sentido terminar olhando para dentro.

A última mesa foi uma conversa sobre a própria trajetória da Rede Beabah!, que há 18 anos constrói uma rede de bibliotecas comunitárias a partir dos territórios.


Com José Falero, Camila Schoffen Tressino e Túlio Damascena, a conversa passou por experiências, caminhos percorridos e pela força de uma construção que não acontece de um dia para o outro. São anos de bibliotecas abertas, livros circulando, pessoas se encontrando e comunidades criando seus próprios espaços de cultura.

E talvez o mais bonito seja perceber que “fabular mundos possíveis” não significa imaginar um mundo perfeito, distante da realidade.


É olhar para o mundo que existe e perguntar: o que a gente pode fazer diferente?

A Beabah! vem respondendo essa pergunta há 18 anos. Uma biblioteca de cada vez. Um território de cada vez. Um livro, uma roda, uma criança, uma conversa, uma pessoa de cada vez.


No fim do seminário, ficou a sensação de que os mundos possíveis não estavam apenas sendo imaginados nas mesas, eles já estavam ali, nas pessoas que se reuniram para conversar, nas histórias compartilhadas, nas bibliotecas que abriram suas portas. Nas Andarilhas que chegaram caminhando, nos livros que passaram de mão em mão.


Talvez fabular seja justamente isso: imaginar o que ainda não existe sem deixar de construir, no presente, aquilo que a gente deseja encontrar, e se depender das bibliotecas comunitárias, tem muito mundo possível sendo construído por aí.


O seminário termina, a conversa continua



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Dois dias passam rápido quando existe tanta coisa para compartilhar.

Ao longo do Seminário Beabah!, foram encontros, histórias, experiências e diferentes formas de pensar as bibliotecas comunitárias e os territórios. Falamos sobre literatura, políticas públicas, direitos, resistência, saúde, meio ambiente, memória, afeto e sobre as muitas maneiras pelas quais uma biblioteca pode fazer parte da vida de uma comunidade.

Também falamos sobre aquilo que ainda precisa ser construído, democratizar o acesso ao livro e à leitura não acontece apenas colocando livros em uma estante. É preciso garantir bibliotecas abertas, políticas públicas que reconheçam e fortaleçam esses espaços, recursos para que eles possam existir e continuidade para que o trabalho feito nos territórios não dependa apenas do esforço de quem acredita nele, as conversas do seminário mostraram que existe muita gente construindo isso todos os dias. Gente que abre portas, organiza acervos, promove rodas de leitura, escuta crianças, jovens e adultos, cria encontros e faz a literatura circular por lugares onde ela muitas vezes ainda chega pouco. Por isso, encerrar o seminário não significa encerrar essas conversas.

O que aconteceu nesses dois dias fica como memória, mas também como provocação. Fica nas ideias que foram compartilhadas, nas perguntas que continuam ecoando, nos encontros que aconteceram e na vontade de seguir construindo espaços onde a leitura seja um direito de todos. Que este primeiro seminário seja também uma semente para os próximos. Que possamos voltar a nos encontrar, ampliar as conversas, aproximar ainda mais os territórios e fortalecer a construção de políticas públicas que reconheçam as bibliotecas comunitárias como parte fundamental da democratização do livro, da leitura e da cultura.


O seminário acabou.


Mas os mundos possíveis que imaginamos juntos continuam sendo construídos, todos os dias, nas bibliotecas, nos territórios e nas pessoas que fazem essa história acontecer. Acesse por aqui a pasta com o acesso a todas as fotos desse dia!

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